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PERFIL DOS PACIENTES E PADRÃO DE LESÕES EM TRAUMATISMOS FACIAIS ATENDIDOS NO HOSPITAL GERAL DO ESTADO DE ALAGOAS

O trabalho foi apresentado ao Comitê de Ética em Pesquisa (CEP/UFAL), sendo aprovado sob o processo n° 15981413.7.0000.5013. Este artigo é derivado de dissertação de mestrado em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial da Universidade de Pernambuco. Os autores informam não haver conflito de interesse.

 

Raphael Teixeira Moreira (1)

Emanuel Dias de Oliveira e Silva (2)

José Zenou Costa Filho (3)

(1) Cirurgião Bucomaxilofacial do Hospital Universitário Alcides Carneiro – Campina Grande – PB

(2) Professor Adjunto IV da Universidade de Pernambuco – Recife – PE

(3) Professor Adjunto IV da Universidade Federal de Alagoas – Maceió – AL

 

RESUMO

O trauma de face figura com grande incidência em agressões físicas e acidentes, pela posição de vulnerabilidade no corpo. Está sujeito a modificações do agente etiológico e padrão de lesão de acordo com o perfil sociocultural e econômico da região. Este estudo tem natureza transversal, observacional, de análise predominantemente descritiva. Ele foi realizado no Hospital Geral do Estado de Alagoas, utilizando dados coletados de prontuários de pacientes no período de janeiro a junho de 2012, com o intuito de traçar o perfil epidemiológico dos pacientes vítimas de traumatismos faciais, sendo observadas as seguintes variáveis: gênero, faixa etária, etiologia e se houve ingestão alcoólica. Ainda foram analisados o padrão das lesões, o tipo e a localização na face. Durante o estudo, observou-se uma prevalência de 72% de indivíduos masculinos, sendo que a maior parte das vítimas eram adultos ou jovens, atingindo 35,6% e 32% dos casos, respectivamente. Quanto ao tipo de lesão, a mais frequente consistiu na contusão (90,6%) e a região mais afetada correspondeu à nasal (21%). As etiologias mais frequentes corresponderam aos acidentes de trânsito (33%) e às quedas (33%). Quinze por cento dos indivíduos envolvidos em acidentes de trânsito ingeriram bebida alcoólica. A partir deste estudo, podem ser fornecidos dados úteis para a elaboração de políticas públicas para campanhas preventivas, mais adequadas à situação vivida pela população, além de protocolos clínicos.

Palavras-chave: Epidemiologia; Ferimentos e lesões; Traumatismos faciais.

 

ABSTRACT

The trauma of the face appears with great incidence in physical aggressions and accidents, by the position of vulnerability in the body. It is subject to modifications of the etiologic agent and lesion pattern according to the socio-cultural and economic profile of the region. This study has a transverse, observational nature, of predominantly descriptive analysis. The same was done at the General Hospital of the State of Alagoas, using data collected from patient records from January to June 2012, with the aim of tracing the epidemiological profile of victims of facial trauma, with the following variables: gender, age, etiology, and alcohol intake. The lesion pattern, type and location on the face were also analyzed. During the study, a prevalence of 72% of males was observed, with the majority of the victims being adults or young people, reaching 35.6% and 32% of the cases, respectively. As to the type of lesion, the most frequent was the contusion (90.6%) and the region most affected corresponded to the nasal (21%). The most frequent etiologies corresponded to traffic accidents (33%) and falls (33%). Fifteen percent of the individuals involved in traffic accidents made use of alcoholic beverage. From this study can be provided useful data for the elaboration of public policies for preventive campaigns, more appropriate to the situation lived by the population, as well as clinical protocols.

Keywords: Epidemiology; Wounds and injuries; Facial trauma.

 

1. INTRODUÇÃO

O trauma corresponde a uma doença frequente nos hospitais de urgência, sendo a face a região mais facilmente acometida por sua posição vulnerável. Os traumatismos de face são objeto de inúmeras análises epidemiológicas, a fim de se propor novos conceitos para sempre evoluir com formas de tratamento mais adequadas (1).

Esses traumatismos comumente são causados por agressões, acidentes, quedas e práticas esportivas, e vão variar de acordo com a região geográfica estudada, diferenças culturais, econômicas e sociais (2) .

Os traumatismos faciais, em sua etiologia, correntemente apresentam diferenças entre as populações estudadas, variando em tipo e severidade, estando relacionados a diferenças culturais e a fatores de riscos existentes entre os grupos (3,4).

A verificação da etiologia desses ferimentos fornece informações sobre os padrões de comportamento da população de diferentes regiões e também pode ajudar a identificar maneiras de prevenir tais lesões, melhorando a qualidade de vida da população da localidade e diminuindo gastos para tratamento desses doentes (5).

Na maioria das pesquisas, os pacientes do gênero masculino e jovens correspondem à população mais acometida por traumatismos, pois estão mais inseridos em atividades esportivas, acidentes de trânsito e violência urbana1.

As lesões causadas por acidentes de trânsito ocorrem em qualquer faixa etária, sendo que o impacto é maior nos jovens. Dessa forma, o acidente de trânsito é a primeira causa de morte na faixa etária de 15 a 29 anos (6).

O presente estudo foi realizado com o objetivo de avaliar retrospectivamente as características epidemiológicas de prevalência, tipos de ferimentos e o perfil dos pacientes vítimas de traumatismos faciais atendidos pelo serviço de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial do Hospital Geral do Estado de Alagoas, trazendo, assim, dados a respeito do traumatismo facial nesse Estado.

O uso de substâncias psicoativas, inclusive o álcool, comportamentos impulsivos associados a envolvimento em episódios violentos, posse de armas de fogo, são exemplos de alguns dos inúmeros fatores de risco, associados fortemente ao envolvimento de jovens do gênero masculino com os traumatismos faciais (7).

Os fatores etiológicos dos traumatismos faciais descritos incluem acidentes de trânsito, agressões físicas, acidentes desportivos, quedas e acidentes de trabalho. Ter o conhecimento a respeito da etiologia dos ferimentos de face fornece informações sobre os mecanismos das lesões, fatores de risco envolvidos com os traumas e padrões de comportamento dos indivíduos (4).

Há décadas os estudos apontam os acidentes de trânsito como principal causa da etiologia do trauma facial. Porém, mudanças culturais e sociais, como o aumento da violência urbana, associado a conflitos socioeconômicos, envelhecimento da população, maior rigor na fiscalização de trânsito, tendem a aumentar a incidência de etiologias antes não tão relevantes, como as quedas e as agressões físicas (8).

 

2. MATERIAL E MÉTODO

Foi realizado um estudo transversal, do tipo observacional, de caráter descritivo. A coleta de dados foi feita no Hospital Geral do Estado em Maceió (AL). Foram coletadas as informações dos prontuários dos pacientes vítimas de traumatismo facial atendidos pelo setor de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial, no período de janeiro a junho de 2012. Ao todo, foram inclusos 1.384 casos no presente estudo. Os dados foram extraídos dos prontuários por meio da análise das seguintes variáveis: grupos etários (divididos em menores de idade, adultos jovens, adultos e idosos); gênero (masculino e feminino); etiologia (acidente automobilístico, motociclístico, ciclístico, atropelamento, agressão física (companheiro; não companheiro), acidentes de trabalho, acidentes esportivos, acidentes com arame farpado, quedas e outras que não se enquadrassem nestas categorias); se houve ingestão alcoólica, os tecidos acometidos e a região da lesão (intrabucal; auricular; periorbital; frontal; nasal; mentoniana; labial; zigomática; maxilar; mandibular; pré-auricular; superciliar) e a classificação da lesão (contusão, laceração, abrasão ou outros).

Os dados foram transferidos para um sistema de coleta informatizado (software Microsoft Excel 2013®).

Fez-se a análise estatística descritiva e inferencial dos dados não paramétricos por meio do programa Statistical Package for Social Studies – SPSS 25.0.

Os autores informam a inexistência de conflito de interesse na realização desta pesquisa.

 

3. RESULTADOS

Foram analisados 1.384 prontuários de pacientes vítimas de traumatismo facial, cuja faixa etária variou de 1 a 107 anos, tendo uma média de idade de 27,4 anos. Dentro desse grupo, 443 pacientes (32%) eram menores que 18 anos, 386 pacientes (27,9%) estavam entre 18-30 anos, 493 (35,6%) entre 31-64 anos e 62 pacientes (4,5%) com 65 anos ou mais, de acordo com o Gráfico 1:

 

grafico1

Gráf. 1: Distribuição dos pacientes vítimas de traumatismo facial por grupos etários.

 

Quando analisada a variável gênero, o masculino foi predominantemente acometido por traumatismos de face, sendo representado por 992 casos (72%); o gênero feminino foi representado por 392 casos (28%), revelando uma proporção entre homens e mulheres de 2,5:1, de acordo com o Gráfico 2:

 

grafico2

Graf. 2: Distribuição dos pacientes vítimas de traumatismo facial por gênero.

 

Fazendo a análise estatística, constatou-se diferença estatisticamente significante pelo teste Qui quadrado (p valor=0,04) entre os gêneros, conforme Tabela 1:

 

FAIXA ETÁRIA MASCULINO FEMININO TOTAL
0-17 315 128 443
18-30 300 86 386
31-64 340 153 493
≥65 37 25 62
TOTAL 992 392 1384

 Tab. 1: Distribuição dos pacientes de acordo com gênero e faixa etária.

 

Os principais fatores etiológicos dos traumatismos na população estudada tiveram a seguinte ordem: quedas, com 33% dos casos; acidentes de trânsito, 33%, e as agressões físicas representaram 23% dos casos analisados. Os casos com menor incidência corresponderam aos acidentes esportivos (3%); acidentes de trabalho (1%) e outras causas (7%), como se pode observar no Gráfico 3:

 

grafico3

Graf. 3: Distribuição dos pacientes vítimas de traumatismo facial de acordo com a etiologia.

 

Etiologia específica Masculino Feminino
QUEDA 261 198
Agressão física (não companheiro) 236 70
Motocicleta 166 26
Bicicleta 101 20
Automobilístico 60 26
Atropelamento 41 17
Agressão física (companheiro) 13 3
Injúria esportiva 30 5
Acidente de trabalho 17 0
Mordedura de animal 9 5
Arame farpado 46 19
Coice de cavalo 10 0
Lesão por corpo estranho 2 2
Mordida humana 0 1
Total 992 392

Tab. 2: Distribuição dos pacientes de acordo com a etiologia específica e o gênero.

 

Etiologia 0-17 anos 18-30 anos 31-64 anos 65 anos ou+
Queda 194 78 150 37
Agressão física (não companheiro) 82 108 110 6
Motocicleta 44 81 62 5
Bicicleta
      39
      27
      51
      4
Automobilístico 19 33 31 3
Atropelamento 16 12 27 3
Agressão física (companheiro) 0 12 4 0
Injúria esportiva 11 10 14 0
Acidente de trabalho 3 2 11 1
Mordedura de animal 8 2 4 0
Arame farpado 22 15 26 2
Coice de cavalo 2 4 3 1
Lesão por corpo estranho 2 2 0 0
Mordedura humana 1 0 0 0
Total 443 386 493 62

Tab. 3: Distribuição da etiologia específica do trauma facial de acordo com a faixa etária.

 

Os traumatismos faciais decorrentes de quedas corresponderam à etiologia mais frequente nos extremos de idade, como está descrito no Gráfico 4:

 

grafico4

Graf. 4: Incidência dos traumatismos faciais por queda nas diferentes faixas etárias.

 

Por meio da análise da etiologia do trauma facial na faixa etária correspondente até 7 anos, as quedas corresponderam a 53% dos casos, seguidas pela etiologia agressão física (14%).

grafico5

Graf. 5: Etiologia dos traumatismos faciais em crianças até 7 anos.

 

Analisando a etiologia do trauma facial na faixa etária correspondente aos pacientes com idade acima de 64 anos, encontrou-se uma grande incidência de quedas, com 60% dos casos.

grafico6

Graf. 6: Etiologia dos traumatismos faciais em idosos.

 

Os acidentes de trânsito foram subdivididos em acidentes motociclísticos (42%), automobilísticos (19%), ciclísticos (26%) e atropelamentos (13%), conforme o Gráfico 7:

grafico7

Graf. 7: Distribuição dos acidentes de trânsito.

 

De toda a população analisada, 99 dos pacientes (7%) informaram ter ingerido bebida alcoólica previamente ao traumatismo de face. Dos pacientes que fizeram ingestão de bebida alcoólica, 92% eram do gênero masculino.

grafico8

Graf. 8: Distribuição de gênero nos pacientes vítimas de traumatismo facial que fizeram uso de bebida alcoólica.

 

Os tecidos moles foram acometidos em 82% dos traumatismos faciais, seguidos das fraturas (11%) e dos traumatismos dentários (7%), de acordo com o Gráfico 9:

 

grafico9

Graf. 9: Distribuição dos tecidos acometidos nos traumatismos faciais.

 

As regiões mais acometidas nos pacientes traumatizados de face corresponderam à nasal e à labial, como está referenciado na Tabela 4:

 

Região acometida Incidência
Nariz 292
Lábios 265
Supercílio 183
Mentoniana 178
Intrabucal 168
Zigomática 155
Periorbital 143
Frontal 139
Mandibular 68
Maxilar 26
Auricular 16
Pré-auricular 4

Tab. 4: Incidência das regiões acometidas nos traumatismos faciais.

 

A lesão de tecido mole mais prevalente correspondeu à contusão, presente em 90,6% dos casos de traumatismos faciais, seguida por laceração (55%), abrasão (5,8%) e outros ferimentos (3,8%), conforme Tabela 5:

 

Classificação da lesão Número de lesões
Contusão 1254
Laceração 762
Abrasão 80
Outros 53

Tab. 5: Classificação das lesões de tecidos moles.

 

4. DISCUSSÃO

A média de idade da população estudada foi 27,4 anos. Encontrou-se uma predominância de pacientes adultos que estavam compreendidos entre 31-64 anos (35,6%), seguido dos menores de idade – até 17 anos (32%), adultos jovens de 18-30 anos (27,9%) e, menos incidente, a faixa etária dos idosos com mais de 64 anos (4,5%), como se pode observar no Gráfico 1. No estudo de Brasileiro e Passeri (2006), a média de idade dos traumatismos faciais correspondeu a 28 anos. Também se encontrou uma predominância de pacientes acometidos por traumatismos faciais compreendidos na faixa etária dos 31 aos 60 anos, com 32% dos casos acometidos, além de uma menor prevalência da faixa etária dos pacientes com mais de 60 anos, com apenas 5,3% dos casos, condizente com os resultados desta pesquisa.

Os resultados deste estudo determinaram uma relação masculino/feminino de 2,5:1 (Gráfico 2), consistentes com os dados encontrados por Scartezini et al., (2016), que encontraram uma relação 2,6:1 masculino/feminino. Maliska et al. (2009) demonstraram uma relação ainda mais discrepante em seu estudo,  4,3:1. Em unanimidade, os estudos mostram uma prevalência do gênero masculino, em variações que vão de 2:1 a 20:1. Percebe-se uma tendência para equivalência na proporção entre masculino/feminino devido à mudança cultural de comportamento e práticas esportivas das mulheres, apresentando uma tendência para uniformidade entre eles (10). No entanto, deve-se levar em consideração a questão cultural no Brasil, onde as mulheres tendem a procurar mais assistência de saúde em relação aos homens, sendo um fator que pode influenciar nessa proporção (11).

No presente estudo, houve prevalência das quedas com 33% e dos acidentes de trânsito, também com 33% dos traumatismos faciais. Os traumas de face decorrentes de agressão incidiram em 23% da população geral, de acordo com o Gráfico 3. Esses dados corroboram com Scartezini et al. (2016), para quem os acidentes de trânsito e as quedas prevalecem com 30,6% e 27,7% dos casos, respectivamente, seguido pelas agressões, com 21,5% dos casos. O estudo de Brasileiro e Passeri (2006), cujos acidentes de trânsito figuraram com 45%, as quedas com 21,7% e as agressões com 19% dos casos analisados. Rezaei et al. (2017) encontraram uma incidência importante em relação à etiologia acidente de trânsito, com 75% dos casos relacionados ao trauma de face. O não cumprimento das leis de trânsito, normas de segurança e vias de tráfego em bom estado de conservação ainda correspondem a um problema evidente que propicia grande parte dos traumatismos em geral. Além disso, uma densidade de veículo por habitante aumentada fatalmente eleva os acidentes de trânsito a uma grande relevância estatística sobre outras etiologias (10).

Analisando especificamente os 458 traumatismos de face causados por acidentes de trânsito, pôde-se identificar 42% dos casos decorrentes de acidentes motociclísticos, 26% de acidentes ciclísticos, 19% de acidentes automobilísticos e 13% de atropelamentos, como se pode observar no Gráfico 7. Brasileiro e Passeri (2006), em estudo realizado no Sudeste do Brasil, também encontraram um menor índice de traumas faciais decorrentes de atropelamentos (8,5%), mas encontraram uma incidência maior nos acidentes ciclísticos (33,6%), seguidos pelos acidentes automobilísticos (31%) e acidentes motociclísticos (26,9%). Ribeiro et al. (2016), em estudo realizado no Norte do Brasil, encontraram uma alta incidência dos acidentes motociclísticos com 76% dos casos, 10,6% dos casos de atropelamento, 8,5% de acidentes automobilísticos e 6,9% de acidentes ciclísticos. Essas discrepâncias em relação ao tipo de acidente de trânsito remetem às diferenças sociais e culturais as quais interferem na etiologia dos traumas faciais, pois em um mesmo país, mas em regiões diferentes, podem-se identificar flutuações importantes, principalmente a etiologia motocicleta, com grande incidência nas regiões Norte-Nordeste do Brasil. A facilidade de adquirir motocicleta, devido ao custo mais baixo, a deficiência na fiscalização de trânsito, principalmente em cidades menores em relação ao uso do capacete de segurança; o precário controle na vistoria das carteiras de habilitação; o excesso de ingestão de bebida alcoólica, são fatores que influenciam nessas diferenças.

Segundo Lyra et al. (2018), no ano de 2012, período dos traumatismos analisados, houve 407 óbitos por acidentes com veículos automotores no Estado de Alagoas. Esse fato pode indicar uma incidência mais baixa de traumatismos faciais decorrentes de acidentes automobilísticos e motociclísticos, pois eles envolvem, geralmente, impactos de alta energia e, por isso, podem causar lesões múltiplas pelo mecanismo do trauma, subnotificando esse grupo5. O trauma corresponde à principal causa de mortalidade nos primeiros 40 anos de vida, além da causa mais frequente da perda de produtividade, superando as doenças cardíacas e os cânceres combinados (3).

Outro fator que pode estar associado a uma subnotificação dos traumatismos faciais se refere à incidência de homicídios por arma de fogo, que não foram incluídos no estudo, pois óbitos constatados no local do crime seguem para o Instituto Médico Legal, não gerando estatística hospitalar. O Estado de Alagoas correspondeu ao Estado brasileiro com maior índice de homicídios por arma de fogo no período analisado (14).

No presente estudo, no grupo de pacientes que estava na faixa etária até os 7 anos de idade, a etiologia queda correspondeu a 53% dos casos, como se pode observar no Gráfico 5. Cárdenas (2010), em um estudo retrospectivo, encontrou em uma população de crianças com até 5 anos uma incidência de 66% de traumatismo facial causado por queda. Em um estudo avaliando 311 pacientes pediátricos com ferimentos faciais, Martins et al. (2002) concluíram que as quedas corresponderam à etiologia mais frequente, com 49,1% dos casos, associando essa alta incidência, na maioria dos casos, ao pouco cuidado dos pais em relação às crianças, que caem de camas, berços ou da própria altura por ainda não desenvolver plenamente a coordenação motora.

Ainda referente aos traumatismos na população pediátrica, os pacientes com até 7 anos, nesta amostra, tiveram como segunda etiologia mais frequente as agressões físicas, com 14% dos casos, diferença significativa dos resultados encontrados no estudo de Al Shetawi et al. (2016), que encontraram uma incidência de 48% da etiologia agressão física para o trauma facial. Deve-se levar em consideração a subnotificação que deve existir para essa faixa etária de pacientes agredidos fisicamente, que podem sofrer represália e não discorrer ao profissional de saúde a respeito da real etiologia. Moura et al. (2016) referem que os traumas domésticos por agressão física não são raros. Eventualmente, pacientes com múltiplos ferimentos, em diferentes estágios de cicatrização, caracterizam a síndrome da criança espancada, que é de notificação compulsória pelo profissional da saúde. Referem ainda que, de modo geral, pela anatomia, com grande quantidade de tecido adiposo para proteção, seios paranasais pouco desenvolvidos, tecido ósseo mais plástico, há uma incidência menor de fraturas faciais em crianças que em adultos.

Em relação às quedas na população, compreendida na faixa etária maior que 64 anos, elas corresponderam a 60% da etiologia, como se observa no Gráfico 6, um resultado semelhante ao apresentado por Cidade (2013), que apresenta uma incidência de 61,6% dos pacientes de uma população de 237 idosas acometida por traumatismos faciais decorrente de quedas, em Piracicaba (SP). Macedo et al. (2008), em um estudo epidemiológico de 711 pacientes vítimas de traumatismos faciais em Brasília (DF), enfatizaram a alta incidência da etiologia queda nos extremos de idade, em especial à população idosa, para quem, em 73,4% dos casos de trauma de face, a etiologia foi queda. Esses resultados corroboram com a maioria dos estudos que avaliam os traumatismos faciais na população idosa, segundo Boffano et al. (2014). Isso pode ser explicado pela diminuição da propriocepção nessa faixa etária, maior fraqueza, diminuição dos reflexos de defesa, tremores e, às vezes, associado ao uso contínuo de fármacos psicotrópicos (21).

Segundo Grampel (2010), os pacientes mais jovens apresentam maior resistência a traumatismos mais severos, enquanto os pacientes idosos geralmente vão a óbito antes mesmo de darem entrada no hospital, fato esse que pode causar menor notificação dos acidentes automobilísticos nessa população, que é atendida em maior frequência por contusões mais leves decorrentes das quedas.

Em estudos realizados em países europeus, os acidentes de trânsito representaram até 80% dos casos reportados, traduzindo-se como a principal etiologia dos traumatismos faciais (3,23). No presente estudo, 33% dos pacientes estavam envolvidos com acidentes de trânsito. Fatores como localização geográfica, estado socioeconômico e cultura local influenciam na etiologia e incidência dos traumatismos faciais.

Dos 322 pacientes vítimas de agressão física (23,3% da amostra total), apenas 5% (16 pacientes) admitiram que o ato fora cometido pelo(a) companheiro(a). Esse dado pode ter sido subestimado por medo de o paciente sofrer ameaças, ou por hábitos culturais, principalmente as mulheres, já que, desses 16 pacientes que admitiram agressão do(a) companheiro(a), apenas três eram mulheres. Gerber et al. (2009) identificaram uma incidência de 54% de agressões a mulheres pelo companheiro, apresentando traumatismo facial. Esse fato faz perceber a importância do profissional da saúde estar preparado e receber treinamento adequado em relação ao modo de proceder à abordagem para questionamento de mulheres com traumatismos suspeitos. Alguns fatores podem levar a sugerir agressões físicas, como ferimentos do lado esquerdo da face, já que a maioria dos agressores é destra; ferimentos associados nos membros superiores, pela tendência de autodefesa.

A incidência de indivíduos que ingeriram bebida alcoólica nesta amostra correspondeu a 7% dos casos. Nos pacientes envolvidos em acidentes com veículo automotor, verificou-se que a incidência de ingestão alcoólica foi de 15% dos pacientes traumatizados. Hu Weihsin et al. (2014), por meio de uma análise retrospectiva, associaram 11% dos traumatismos faciais com bebidas alcoólicas. O consumo de álcool é notavelmente presente no aumento da incidência dos traumatismos de face, além de outras substâncias depressoras do sistema nervoso central. Os indivíduos que as consomem, apresentam respostas motoras diminuídas e, fatalmente, uma exposição aumentada a fatores etiológicos dos acidentes (25).

No presente estudo, quando se comparou a diferença entre os gêneros que ingeriram bebida alcoólica, 92% dos pacientes foram do gênero masculino, como está identificado no Gráfico 7. Apesar de esta pesquisa não ter avaliado a utilização de outras substâncias depressoras do sistema nervoso central, como a presente na maconha, sabe-se que esse hábito causa um aumento na incidência dos traumas, sendo um agente passível de se estudar em pesquisas toxicológicas futuras a serem realizadas em ambientes hospitalares (26).

Os tecidos moles foram mais predominantemente acometidos neste estudo em 81,6% dos casos, enquanto as fraturas incidiram em 11,5% dos traumas de face. Tal resultado é pouco semelhante ao encontrado por Miguens-Jr. et al. (2016), onde, em 66,4% dos casos, os tecidos moles foram acometidos e em 30% predominaram as fraturas faciais. Rezaei et al. (2016) encontraram dados mais discrepantes aos resultados deste estudo, com 63,4% de acometimento dos tecidos moles e 36,5% dos pacientes com fraturas de face; contudo, deve-se levar em consideração a alta etiologia de acidentes de trânsito desses últimos autores (75%), para quem, geralmente, está associada a traumatismos mais severos.

No presente estudo, o índice de traumatismo dentário correspondeu a 7% dos casos, corroborando com as pesquisas de Scartezini et al. (2016), que encontraram uma incidência também de 7% de trauma dentário, resultado semelhante ao de Walker et al. (2012), onde 5% dos pacientes acometidos por trauma facial apresentaram injúria dentária. Resultado aquém dos estudos citados foi o reportado por Cavalcante et al. (2009), onde apenas 1,89% da amostra teve acometimento dentário.

Em relação ao tipo de lesão, as contusões estiveram presentes em 90,6% dos casos na população analisada, resultado superior ao encontrado por Macedo et al. (2008), onde 62,4% dos traumatismos apresentaram contusão. No presente estudo, as lacerações ou abrasões estiveram presentes em 60,8% dos traumatismos de face, resultado semelhante ao encontrado por Walker et al. (2012), em que 58% dos casos apresentaram lacerações ou abrasões.

Em relação à região da face acometida pelo traumatismo no presente estudo, a nasal foi a mais incidente, seguida pela região labial, com 21% e 19% dos casos, respectivamente. Esse resultado é análogo ao encontrado no estudo de Miguens-Jr. et al. (2016), realizado em um hospital de emergência no Sul do Brasil, onde também encontrou as regiões labial e nasal com uma frequência maior de acometimento, com 28% e 22,2%, respectivamente. No entanto, vai de encontro aos resultados encontrados por Vieira et al. (2013), em estudo realizado em um hospital de emergência no Nordeste brasileiro, onde as regiões frontal e bucal foram as mais acometidas, com 43,8% e 20,6% dos traumas, respectivamente.

As diferenças sazonais podem influenciar a etiologia dos traumatismos faciais. Nessa pesquisa não se avaliou a frequência dos acidentes em relação à estação do ano, porém Rezaei et al. (2017) afirmam que, no inverno, a incidência de traumatismos é maior, uma vez que muitas pessoas não acostumadas a dirigir sob chuva e acabam provocando acidentes de trânsito. Em contrapartida, no verão, em épocas de férias, há uma incidência maior de acidentes esportivos decorrentes da maior prática de esportes.

 

5. CONCLUSÃO

A população afetada por traumatismo facial no Estado de Alagoas, identificada no estudo, é formada principalmente por adultos, com prevalência do gênero masculino e incidência aumentada nas quedas e nos acidentes de trânsito, com relevante associação à ingestão de bebidas alcoólicas.

É evidente a necessidade de políticas de prevenção e fiscalização de trânsito, com o intuito de minimizar as morbidades e evitar gastos desnecessários, pois essas incidências ainda são bastante relevantes na população.

Mostra-se importante a necessidade de ações de prevenção em relação às etiologias queda, principalmente na população menor de idade e idosos.

A agressão física correspondeu à terceira maior incidência na população estudada, evidenciando-se também a falha notificação das agressões às mulheres pelos companheiros, enfatizando o melhor preparo do profissional para identificação de lesões suspeitas e adequada abordagem das pacientes.

É necessário estabelecer uma padronização para coleta de dados dos atendimentos realizados a fim de aperfeiçoar e fidelizar investigações epidemiológicas posteriores, com desenhos metodológicos e amostras mais homogêneas.

 

6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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